A Torre, colégio fundado em 1970, é presentemente uma cooperativa de ensino com o Alvará nº 2036.

 

Organização Cooperativa

Escola e salas

Desde a sua origem, a Torre teve como princípio organizador de toda a vida escolar a organização cooperativa das salas de aula.

Por se ter entendido, logo nos primeiros anos de trabalho, que não era possível propor às crianças que a escola acolhia que trabalhassem cooperativamente sem que os adultos – educadores e professores – que lhes serviam de modelo o soubessem fazer também, a Torre converteu-se, ela própria, numa cooperativa de ensino.

Assim, a organização pretendida para as salas de aula foi a matriz de que se partiu para a organização da escola como um todo.

Existe portanto em cada sala de aula um conjunto de instrumentos para a sua organização cooperativa; a saber:

  • O mapa de almoços
  • O mapa de tarefas
  • O Jornal de Parede

Mapa de almoços

No início de cada ano letivo os alunos de cada grupo/turma dividem-se em cinco equipas – uma para cada dia de escola semanal – que se responsabilizarão ao longo do ano pela organização da hora de almoço.

Em cada dia da semana, cabe a cada uma das equipas pôr a mesa, toalhas, pratos, talheres, copos e guardanapos para os restantes colegas da sala à hora do almoço. Acabada a refeição, importa a cada equipa deixar o chão e a mesa que se ocupou nas mesmas condições de limpeza em que se encontravam antes de ser servido o almoço.

Mapa de Tarefas

Os alunos de cada sala organizam-se em pequenos grupos que assumirão um conjunto de tarefas para garantir o melhor funcionamento das salas de aula e dos espaços comuns da escola, ao longo do ano.

Assim, a arrumação das salas ao fim de cada dia de trabalho na escola, a verificação dos materiais, a organização das bibliotecas e jogos de sala, a distribuição dos materiais necessários no início de cada aula, a arrumação dos casacos e mochilas dos alunos em arcas e prateleiras existentes na escola, etc., constituem o conjunto de tarefas que cada grupo/turma define com os seus professores como necessárias para o bom funcionamento da sua sala ao longo do ano.

Semanalmente os mais novos, quinzenalmente os mais velhos, cada aluno se auto-avalia e é avaliado pelos seus pares em reunião de sala relativamente ao desempenho de que foi capaz durante o período de tempo em que assumiu determinada tarefa.

Após cada reunião de avaliação das tarefas, cada aluno deve escolher uma nova tarefa e integrar outra equipa de trabalho. Desejavelmente, todos os alunos passarão por todas as tarefas, ao longo de cada ano letivo.

Jornal de Parede

 Em cada sala de aula existe um Jornal de Parede com 4 secções: Acho Bem; Acho Mal; Notícias; Queremos Fazer.

Todos os alunos têm a liberdade de registar no Jornal de Parede o que entenderem que devem registar e sempre que o desejem. No final de cada semana, os registos de cada secção do Jornal são discutidos coletivamente por cada grupo/turma, podendo alunos de uma sala convocar para a sua reunião de jornal alunos de outras salas, se algum assunto tiverem a partilhar ou discutir com eles.

Assim, propostas de trabalho, visita ou passeio; partilha de informações ou novidades; reconhecimento e apreço pelo que se considera ter corrido bem; tal como resolução de inquietações ou conflitos decorrentes do que se considera que correu mal – tudo isto tem o seu lugar de expressão e discussão coletiva no Jornal de Parede e nos momentos em que ele é analisado e discutido por cada grupo de alunos, com a ajuda dos seus professores e sempre que estes sejam solicitados ou se sintam convocados para tal.

Reuniões Gerais

As reuniões gerais de escola são uma extensão da organização cooperativa das salas de aula a toda a escola. São convocadas, pelo menos, uma vez por trimestre, secretariadas pelos alunos mais velhos e envolvem todos os alunos do 1º e 2º Ciclos, os seus professores e restantes funcionários da escola. Servem estas reuniões para discutir e decidir, por meio de votação, as regras de funcionamento da escola e para partilhar projetos de trabalho em curso nas diversas salas de aula, garantindo a todos – adultos e crianças – um direito inalienável na Torre que é o direito à palavra.

Aspetos Pedagógicos Relevantes 

A iniciação à leitura e à escrita

Os alunos são iniciados na leitura e na escrita, a partir de um método global que introduz um conjunto de palavras a serem trabalhadas em sala de aula com base num contexto narrativo que lhes serve de suporte.

Se partirmos do princípio de que a leitura, em sentido amplo, é a capacidade que cada um tem de entender a vida, a relação com os outros, o que se passa à sua volta e consigo mesmo, então ela começa muito antes do texto e da escrita. Como tal, foi criada uma narrativa aberta que consubstancia uma história que acompanha os alunos ao longo do ano letivo e na qual eles vão, paulatinamente, introduzindo episódios e acontecimentos que pautam a sua muito pessoal experiência do mundo. Gera-se assim um contexto de aprendizagem, onde cada um (também) aprende consigo mesmo e com a sua própria vida e acede por ela aos mecanismos da leitura e da escrita dos quais é suposto ir-se apropriando.

 A introdução ao mundo dos números e operações numéricas

A introdução ao mundo dos números e operações numéricas é feita a partir de um programa específico (CSMP) que propõe uma abordagem compreensiva da Matemática, assumindo-a como uma linguagem eminentemente relacional e que se traduz num corpo de conhecimentos sobre o mundo e uma certa forma de habitar nele.

Assim, todas as lições se estruturam a partir de uma pequena história que introduz um conceito ou lança um desafio, à volta do qual os alunos discutem possibilidades, caminhos e soluções possíveis, partilhando com os restantes colegas o modo como estão a pensar.

De fio a pavio, o programa introdutório ao universo da Matemática distingue claramente o que é símbolo do que é conceito, permitindo a cada aluno a compreensão dos conceitos, a partir do ato de pensar sobre eles, e uma livre e eficaz representação de cada conceito, através dos símbolos matemáticos e das estratégias de cálculo que a apropriação das linguagens do programa vai pondo, progressivamente, ao seu dispor.

 A prática filosófica com crianças

A prática filosófica com crianças é uma componente curricular da escola que propõe aos alunos a participação e envolvimento ativos em ‘comunidades de investigação’.

Começando pela leitura partilhada de uma texto, os alunos são convidados a fazer perguntas sobre ele – o conjunto das perguntas formuladas estabelece, por assim dizer, o mapa de curiosidades ou interesses despertos pela leitura partilhada do texto e constituirá a agenda de discussão da sessão de filosofia propriamente dita. É suposto que o diálogo entre os alunos seja a base de discussão e exploração de cada questão registada no quadro, devendo, no processo, desenvolver-se capacidade argumentativa e contra-argumentativa que traduza cada intervenção dos alunos num exercício de pensamento crítico.